Percepção dos Consumidores sob o Foco da Qualidade de Carne

A ciência e qualidade de carne tem sido cada vez mais importante na busca da qualidade da carne e de suas características, como a maciez e a suculência, que são perceptíveis ao paladar humano, desta maneira foram desenvolvidos métodos de avaliação da qualidade da carne em laboratório, com o objetivo de buscar uma maior satisfação dos consumidores (Osório et al., 2012).

Diversas são as características mais preconizadas pelos consumidores em relação à qualidade de carne, porém, destacadas principalmente as características de suculência, palatabilidade e maciez (Lobato, 2000). Por meio do conhecimento das características que são preferidas pelos consumidores, as empresas desenvolvem estratégias, buscam a sustentabilidade das cadeias de produção e garantem a competitividade, portanto é importante conhecer o comportamento e as preferências dos consumidores de alimentos (Brisola & Castro, 2005).

Com a finalidade de instruir empresários, as pesquisas de mercado irão contribuir para que sejam escolhidos os planos de marketing e de comercialização, desta forma, além de instruir, também motiva o investimento neste campo que está sendo crescente (Gonçalves et al., 2008).

As pesquisas com os consumidores permitem que sejam analisadas as intenções dos consumidores em relação aos produtos oferecidos no mercado, a qualidade de carne e a expectativa do consumidor, desta maneira, é importante que as pesquisas sejam realizadas com mais frequência, se tornando uma ferramenta importante para as empresas (Minozzo et al., 2008).

Ao se referir às características de qualidade de carne: organoléptica, nutritiva e sanitária, é recomendável que a carne atenda às expectativas do consumidor, além de ter um preço estabelecido de maneira criteriosa pelo justo valor do produto (Felício, 1999).

O mercado tem gerado novas tendências por parte dos consumidores, devido as grandes mudanças nas esferas tecnológicas, econômicas, políticas, sociais e culturais, afetando deste modo o perfil e o padrão de consumo do consumidor de carnes (Schluter & Lee, 1999 E Regmi & Gehlthar, 2001).

Um tema a ser avaliado a respeito da qualidade de carne corresponde ao valor nutritivo e o quão benéfico o alimento será para a saúde, os consumidores que buscam por qualidade priorizam as condições sanitárias, a higiene, o processamento e conservação, e o risco de contaminação através da ingestão de alimentos com substâncias químicas (Felício, 2000).

Devido a essas transformações o foco da competitividade entre organizações individuais para a competição entre as cadeias produtivas vem sendo alterado, sendo exigida uma reformulação nas estratégias e estruturas para que a competitividade seja mantida (Wood Jr. & Zuffo, 1998). Frente aos desafios de um mercado cada vez mais competitivo, uma nova postura dos produtores e das indústrias processadoras de carne vem sendo exigida para atender as demandas dos consumidores.

Os consumidores se tornam cada vez mais exigentes e tem pensamentos mais esclarecidos, buscando assim por produtos de melhor qualidade. Outro aspecto importante que tem aumentado é quanto ao bem-estar e a saúde das pessoas.

No caso das carnes, o consumidor fica mais atento quanto às questões de produção, processamento e comercialização do produto, bem como as características de qualidade como quantidade de gordura, maciez e sabor (Luchiari, 2006). Atender as necessidades do cliente de maneira acessível, segura e confiável, são pontos importantes para se falar sobre um produto de qualidade.

O consumidor moderno de carne bovina também leva em consideração as características organolépticas, a sanidade e o valor nutritivo do produto. As características da qualidade de carne podem ser classificadas em:

a) qualidade visual: aspectos que irão atrair ou repelir o consumidor que vai às compras;

b) qualidade gustativa: atributos que fazem com que o consumidor volte ou não a adquirir o produto;

c) qualidade nutricional: nutrientes que fazem com que o consumidor crie uma imagem favorável ou desfavorável da carne como alimento compatível com suas exigências para uma vida saudável;

d) segurança: aspectos higiênico-sanitários e a presença ou não de contaminantes químicos, como resíduos de pesticidas.

Diversos fatores podem ser levados em consideração em relação ao comportamento do consumidor de carne bovina. Segundo Mazzuchetti & Batalha (2004), no momento da compra, fatores internos e externos podem influenciar o consumidor. As influências internas podem ocorrer devido à motivação de compra, atitudes, personalidade, aprendizagem e a percepção do consumidor, essas influências, portanto são de origem psicológica. Já as influências externas são causadas devido à classe social, família, cultura e grupos de referências do indivíduo.

Empresas grandes tem a capacidade de descobrir fatos sobre seus consumidores que eles mesmos não sabem. Fatos de quando, onde e como os consumidores manifestam suas necessidades, desejos e demandas. Portanto, conhecer as necessidades dos consumidores é indispensável para a prática de um marketing eficaz e para oferecer um auxilio importante para planejar o marketing de maneira estratégica (Kotler & Armstrong, 1998).

No ato da compra, o consumidor toma a decisão para a escolha do produto, estímulos sensitivos (visuais, táteis, etc) ou estímulos de memória, podem influenciar na decisão, pois, os consumidores são indivíduos competitivos, imprevisíveis, dinâmicos e que são bastante influenciáveis por promoções apresentadas em embalagens, como formas ou cores (Garber et al, 2002).

O corte da carne bovina é um produto que apresenta diversas variações em relação ao padrão e a qualidade, mesmo quando o consumidor adquire um produto com marcas, que certifica esta padronização e garante a qualidade de carne, o ideal é que se ofereça um número expressivo de informações no produto, buscando diminuir os riscos relacionados à compra.

A decisão do consumidor no momento da compra se torna mais complexa quando há eventos sociais e familiares, criando uma expectativa maior sobre o produto e desta forma, julgando mais o produto em questão, por isso nem sempre a satisfação do consumidor é garantida, devido a essas diversas variações do produto (Barcellos, 2004)

A população vem buscando por alimentos que são mais saudáveis, observando cada vez mais as questões de certificação de qualidade e informações de procedência do produto. Os consumidores estão deixando de adquirir produtos de empresas que possuem ilegalidades, mesmo se possuírem uma marca segura e conhecida e estão mais atentos quanto as questões de sustentabilidade e empresas que estejam ligadas a projetos sociais (FIESP, 2010).

Dessa maneira, o consumidor vem mudando sua percepção sobre a qualidade da carne e buscando por mais informações sobre o produto. Para atribuir um valor diferenciado ao produto, é necessário que as empresas se concentrem no marketing, promovendo o produto, utilizando técnicas e novas estratégias, tais como novas embalagens, técnicas de vendas, informações disponíveis sobre qualidade organoléptica e nutricional do produto e a divulgação de marcas que irão despertar a confiança do consumidor de carnes.

REFERÊNCIAS

BARCELLOS, M. D. Informação e qualidade na compra de carne bovina. Revista de Administração FACES Journal, 3(2). Belo Horizonte, 2004.
BRISOLA, V. M.; CASTRO, A. M. G. Preferências do consumidor de carne bovina do distrito federal pelo ponto de compra e pelo produto adquirido. Caderno de Pesquisas em Administração. São Paulo, v. 12, n. 1, p. 81-99, Janeiro/Março. 2005.
FELÍCIO, P.E. Qualidade da carne bovina: características físicas e organolépticas. In: XXXVI Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, Porto Alegre. 1999.
FELÍCIO, P. E. Qualidade da carne Nelore e o mercado mundial. IX Seminário do PMGRN: Comemoração dos 32 anos do GEMAC. Departamento de Genética, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Dezembro. 2000.
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GARBER JUNIOR, L. L.; HYATT, E. M.; STARR JUNIOR, R. G. Measuring consumer response to food products. Food Quality and Preference, Boston, v. 13, 2002.
GONÇALVES, A.A; PASSOS, M.G; BIEDRZYCKI, A. Tendência do consumo de pescado na cidade de Porto Alegre: um estudo através de análise de correspondência. Estudos tecnológicos – Vol. 4, n° 1:21-36, 2008.
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MAZZUCHETTI, R. N.; BATALHA, M. O. Preferência da carne com relação à gordura. Varia Scientia. v. 04. n. 08. p. 25-43. Dezembro. 2004.
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OSÓRIO, J. C. S.; OSÓRIO, M. T. M.; VARGAS, F. M. J.; FERNANDES, A. R. M.; SENO, L. O.; RICARDO, H. A.; ROSSINI, F. C.; ORRICO, M. A. P. J. Critérios para abate do animal e a qualidade da carne. Revista Agrarian. Dourados, v.5, n.18, p.433-443, 2012.
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SCHLUTER, G.; LEE, C. Changing food consumption patterns: their effect on the U.S. food system, 1972-1992. FoodReview, Washington, v. 22, n. 2, p. 35-37, Jan./Apr., 1999.
WOOD J. R., T.; ZUFFO, P. K. Supply chain management. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 38, n. 3, p. 55 – 63, jul./set. 1998.

Natália Feliciano Ouriveis
Possui graduação em Zootecnia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2014). Tem experiência na área de Zootecnia com ênfase em mercadologia e análise do comportamento dos consumidores de produtos de origem animal. Mestranda em Ciência Animal pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

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