Efeito estufa X Carne Bovina: qual o verdadeiro impacto para o meio ambiente?

Se pararmos de comer carne bovina, vamos realmente reduzir as emissões de gases do efeito estufa?

Muitas pessoas sugerem que a remoção da carne da dieta humana poderia reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Na realidade, retirar completamente a carne da dieta provavelmente não resultaria em grandes quedas nas emissões de gases do efeito estufa e teria implicações negativas para a sustentabilidade do sistema alimentar.

Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), a produção de bovinos de corte foi responsável por 1,9% das emissões totais de gases do efeito estufa dos EUA em 2013.

Comparando a produção de alimentos (essencial para a vida humana) com transporte e eletricidade (não essenciais para a sobrevivência humana, mas essenciais para o estilo de vida moderno) é problemático.

tabela efeito estufa | carne com ciencia

A eletricidade e o transporte produzem grande parte das emissões de gases do efeito estufa nos Estados Unidos, mas a maioria das pessoas não pede a eliminação da eletricidade ou do transporte.

Em vez disso, são feitos esforços para reduzir as emissões de gases do efeito estufa produzidas para fornecer os mesmos serviços de energia e transporte (por exemplo, utilização de fontes de energia renováveis para geração de eletricidade).

Estudar as diferentes formas de como os recursos de alimentação, água e terra podem ser utilizados de forma mais eficiente ao longo do ciclo de vida da carne para reduzir as emissões de GEE por quilo de carne proporcionaria os meios para manter o mesmo nível de produção de alimentos e reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

A produção de carne fez avanços impressionantes para atender as demandas de proteína de uma população crescente, reduzindo a quantidade de recursos naturais necessários.

Por exemplo, devido à melhoria da genética, nutrição animal, manejo e uso de tecnologias que promovem o crescimento, a comunidade de carne bovina dos Estados Unidos reduziu suas emissões de GEE em 9 a 16% em cada 450 gramas de carne bovina produzida, desde a década de 70 até hoje.

Outro componente chave da redução das emissões de gases do efeito estufa do sistema de carne bovina é o papel do consumidor. Mais de 20% da carne comestível é desperdiçada em supermercados, restaurantes e em casa.

Tal como acontece com outros alimentos, a quantidade de recursos não renováveis utilizados e os impactos ambientais que os restos de carne descartadas passaram a produzir e estão sendo enviados para um aterro, são muitas vezes ignorados.

Os consumidores poderiam melhorar a sustentabilidade da carne bovina em 10% se os resíduos de carne bovina fossem reduzidos pela metade.

Adicionalmente, assim como é feito no Brasil, o gado tem a capacidade de utilizar forragens tais como capim e feno são impróprios para consumo humano. O gado pode utilizar celulose, uma das moléculas orgânicas mais abundantes do mundo, que é indigestível para os seres humanos e também pode converter alimentos de baixa qualidade em proteínas de alta qualidade, proveniente de terras não adequadas para cultivo, reduzindo assim a erosão do solo e aumentando o armazenamento de carbono no solo.

A carne é um bem valioso para a dieta humana. Além de ser uma fonte significativa de proteína, a carne fornece nutrientes-chave, como ferro, zinco e vitaminas do complexo B.

A remoção da carne bovina da cadeia alimentar levaria os consumidores a procurarem fontes alternativas de proteínas e micronutrientes. Assim como com todos os alimentos, a produção de carne bovina tem impactos, mas as emissões diretas da produção de carne bovina dos EUA são apenas estimadas em 1,9% do total de emissões de gases do efeito estufa dos EUA.

Artigo publicado no site Facts About Beef em 21/04/2016 e traduzido e adaptado  por Carne com Ciência.

*Este é um tópico de discussão dentro da indústria de carne bovina. O artigo não representa necessariamente a opinião do Beef Checkoff ou do Departamento de Agricultura dos EUA.

Opinião do Carne com Ciência

Se fizermos uma rápida pesquisa no Google, encontramos centenas de artigos e textos falando sobre a relação entre a produção de carne e a emissão de gases que impactam no efeito estufa.

Opiniões contrárias e todas elas muito divergentes entre si. O fato é que, como esse texto bem citou, ninguém (ou quase ninguém) cogita em deixar de usar energia e os meios de transporte.

O que se faz é buscar alternativas que reduzam e minimizem os impactos ambientais, usando-os de forma mais inteligente e sustentável. Ainda usando o exemplo do texto e sendo até um pouco piegas (podemos dizer assim), carne é alimento e alimento é vida, é essencial.

Usar outros tipos de proteína para substituir a carne é trocar seis por meia dúzia, porque, da mesma forma, milhares e milhares de hectares precisam ser usados para produzir a mesma quantidade de alimento e, portanto, impactos ambientais negativos também serão gerados.

A grande verdade é que o que a indústria de carne mais faz é estudar (e aplicar) meios de tornar a produção cada vez mais sustentável, com menos e menos impactos ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, mais produtiva, com o objetivo de alimentar mais e mais pessoas.

Leia abaixo parte de um artigo retirado do site da Embrapa, de um estudo publicado pela Revista Nature, em Abril de 2016, realizado por pesquisadores brasileiros e escoceses que diz o seguinte:

Incluímos na contabilidade as emissões de GEE de todos os processos produtivos relativos à produção pecuária, permitindo assim o cálculo da pegada de carbono da carne bovina em cada cenário trabalhado pelo modelo.

Foram analisados cenários com diferentes níveis de impacto do consumo de carne sobre o desmatamento. Nesses cenários, sofreram variação desde o desacoplamento total, isto é, sem impacto sobre o desmatamento, até um alto nível de acoplamento, com impacto.

No cenário desacoplado, aumentos da demanda associados a técnicas de recuperação de pastagens mostraram uma diminuição das emissões.

Uma demanda 30% mais alta em 2030 em relação a uma projeção de referência causaria uma diminuição de 10% nas emissões totais. Por outro lado, uma diminuição de 30% na demanda por carne em relação ao valor projetado para 2030 causaria um aumento de 9% nas emissões.

Se a demanda por carne aumenta, mas a taxa de desmatamento é mantida constante, os produtores vão precisar intensificar, ou seja, serão incentivados a recuperar pastagens degradadas e isso faz com que se tenha mais sequestro de carbono no solo.

De fato, evidências empíricas, como dados do Censo Agropecuário, Inpe e FAO, mostram que houve uma redução significativa no desmatamento em todos os biomas desde 2005, ao passo que a produção de carne continua crescente.

Além disso, nosso estudo corrobora outras pesquisas recentes que demonstram que a expansão da produção pecuária não leva necessariamente a um aumento nos índices de desmatamento, desde que sejam usadas técnicas adequadas de mitigação. Segundo esses estudos, o Brasil já possui pastagens suficientes para suprir a crescente demanda por carne sem precisar derrubar uma única árvore, e isto pelo menos até 2040.”   

One Comment

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  1. Concordo! Infelizmente muitas pessoas não procuram informações sobre o assunto e saem publicando notícias distorcidas (sensacionalistas) e que acabam gerando uma certa confusão.

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