3° Dia do Capataz e a Importância dos Recursos Humanos na Empresa Rural

O mercado de trabalho é relevante para a economia de um país e variáveis como a faixa salarial, índices de emprego e desemprego, produtividade e qualificação, distribuição de receitas, são fatores levados em consideração ao se traçarem os indicadores econômicos de um país.

O mercado de trabalho tem a sua origem no período da Revolução Industrial, onde as relações entre operários e organizações passaram a assumir uma maior importância no contexto econômico e social.

No final do século XVIII, o filósofo e economista clássico Adam Smith fez as primeiras referências ao mercado de trabalho e dizia que a atividade do mercado de trabalho era:

◦       Semelhante aos demais mercados;

◦       As condutas econômicas das organizações e os indivíduos deviam visar à maximização do bem-estar e;

◦       A oferta e demanda de emprego dependiam da remuneração salarial.

Dentro deste contexto, o mercado de trabalho no setor pecuário vem passando por intensas transformações, pois a pecuária brasileira se mostra promissora, expandindo cada vez mais o setor. Desta forma, é necessário que os empregadores invistam mais na qualificação da mão de obra no campo, devendo realizar a gestão de pessoas e investir tempo, energia e dinheiro no treinamento de funcionários, gerentes e patrões.

A mão de obra representa todos os gastos com a força de trabalho, abrangendo a mão de obra fixa e contratada, seus encargos sociais, a assistência técnica e também a mão de obra eventual.

Uma pesquisa realizada em 2015, pelo CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP, mensurou, caracterizou e discutiu sobre o mercado de trabalho no agronegócio e em seus segmentos (insumos, primários, agroindústria e serviços) e mostrou que do total de 19,1 milhões de pessoas empregadas no agronegócio, 9 milhões estão em atividade no setor primário (dentro da porteira), o que representa 47% do total entre os quatro segmentos.

Acerca da distribuição das pessoas ocupadas por nível de instrução, a atenção é voltada para o setor primário, onde uma parcela expressiva do total de trabalhadores (mais de 70%), possui ensino fundamental incompleto ou nenhuma instrução.

Desta maneira, com o intenso crescimento e a modernização do setor da bovinocultura de corte, há cada vez mais a demanda por mão de obra qualificada, para isto o Estado deve investir mais na educação e os empregadores devem investir tempo e dinheiro na qualificação de seus funcionários, bem como na própria qualificação.

Com este intuito, do dia 23 de junho de 2017, a Macal Soluções em Nutricão Animal, realizou o 3º Dia do Capataz.

O evento teve como objetivo trazer temas atuais que trataram de questões relacionadas ao mercado da pecuária, bem como as questões técnicas e comportamentais ligadas ao desenvolvimento humano.

Em entrevista ao Carne com Ciência, o Zootecnista Sidnei de Souza, gerente operacional da empresa LMS Agro, diz que considera de extrema importância a participação dos funcionários neste evento. O grupo LMS Agro, possui 5 propriedades no Mato Grosso do Sul e no Paraná com 75 colaboradores em todas as fazendas.

Para o 3° Dia do Capataz, Sidnei inscreveu 11 funcionários  com o intuito de estimulá-los a crescerem profissionalmente e se qualificarem e enfatizou, “o evento tem uma característica importante que é de valorização para o capataz, desta maneira, ele se sente importante e compara o seu trabalho com o trabalho de outros colegas, auxiliando-os a mensurar se estão no caminho certo.”

Após o evento, Sidnei destaca as mudanças: ‘’Existe um compartilhamento da experiências vividas no evento, que servem de estímulo para os demais funcionários e para os colaboradores que são subordinados a eles. Na empresa temos a rotina de apresentar tudo para todos, desde o planejamento inicial até os resultados finais, isso é uma forma de valorizar a pessoa que está no meio, que está trabalhando com você, então eles transferem o conhecimento para os demais que ficaram na fazenda e isso gera uma expectativa de crescimento’’.

O Médico Veterinário Marcelo Bereta, assessor pecuário na empresa Cia Pecuária, também em conversa com o Carne com Ciência, falou sobre a importância do evento. Bereta trabalha com assessoria pecuária nas áreas de serviços veterinários, gestão, controle financeiro, orçamentos, custos de produção e também com treinamentos de mão de obra.

Bereta ministra treinamentos de aplicação de medicamentos, manejo de recém-nascido, manejo de pasto, inseminação, avaliação zootécnica, treinamentos motivacionais em liderança e trabalho em equipe e no escritório também possuem o setor de projetos responsável pelo custeio para o setor agrícola.

Bereta diz: “O Dia do Capataz é o melhor evento técnico para mão de obra e para equipes de campo na pecuária do Mato Grosso do Sul. Trazer a equipe para participar do evento onde são abordados temas técnicos e comportamentais e, principalmente, sobre as relações interpessoais, é uma grande oportunidade do colaborador sair da rotina do dia a dia, além de fazer contato com as equipes de outras fazendas, trazendo além de conhecimento, muita motivação.”

O 3° Dia do Capataz trouxe em 2017 mais de 500 participantes, 5 palestras abordando: “Habilidades e Desafios de um bom Capataz”, “Ferramentas e Atitudes para transformar trabalho em lucro na Pecuária”, “Fatores que Interferem no resultado final da IATF”, “Liderando com Puro Sangue” e “34 anos levando Soluções em Nutrição”, além de um almoço super especial com muito Arroz Carreteiro e Churrasco!

O 3° Dia do Capataz contribui de forma útil e positiva na superação dos desafios que contemplam o trabalho de um  capataz. Com uma programação coerente e atualizada, todos os anos são trabalhados conceitos ligados a aspectos comportamentais como liderança e desenvolvimento de equipe, além de conceitos técnicos relacionados à pecuária moderna e que podem ser aplicados à diversas realidades.

Para a Macal, o Dia do Capataz é também uma forma de homenagear as pessoas de bem, que levantam de madrugada, trabalham duro e carregam a poeira da estrada!

3° Dia do Capataz

Referências

CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Esalq/USP. O mercado de trabalho do agronegócio brasileiro resultados preliminares 2015. Acesso em: 22 de maio de 2017.Disponível em: <http://www.cepea.esalq.usp.br/br/documentos/texto/mercado-de-trabalho-do-agronegocio-brasileiro-resultados-preliminares.aspx>.

FONTES, R.; RIBEIRO, H.; AMORIM, A.; SANTOS, G. Economia: um enfoque simples e simplificado. São Paulo, Editora Atlas – 2010.

NETTO, C. G. A. Modernização da bovinocultura de corte brasileira. Ensaios FEE – Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser. Porto Alegre, (16), p 66-104, 1995.

RAUPP, F.M.; FUGANTI, E.N. Gerenciamento de custos na pecuária de corte: um comparativo entre a engorda de bovinos em pastagens e em confinamento. Revista Custos e Agronegócio, v. 10, n. 3 – julho/setembro – 2014.

SMITH, A. A riqueza das nações. V.1, cap. I a VI, p. 17-54. 1988. Acesso em: 22 de maio de 2017.Disponível em: <http://verdenovoestudos.com.br/cursos/Artigos/ariquezadasnacoes.pdf>.

SOUZA, M. C. C. Mercado de trabalho: abordagens duais. Revista de Administração de Empresas. Rio de Janeiro, 18 (1): 59-69, janeiro/março. 1978.

ULYSSEA, G. Segmentação no mercado de trabalho e desigualdade de rendimentos no Brasil: uma análise empírica. IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Fevereiro, 2007.

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