10 Mitos da Carne Desvendados – Parte 2

Esta semana publicamos a Parte 1 desta série de artigo sobre os mitos da carne que contam por aí. Como já contamos no artigo anterior (que você pode ler aqui ), a carne, principalmente a carne vermelha, se não o mais, é um dos alimentos mais mal falados na nutrição humana. O fato é que, até hoje, muitos estudos contraditórios foram usados para embasar essas teorias e que, atualmente, está, pouco a pouco sendo desvendado e caindo por terra, fazendo provar, cada vez mais, que não só o consumo de carne, assim como os métodos utilizados para a produção, pode, devem e estão se tornando cada vez mais eficientes e sustentáveis.

MITO 6: Comer carne favorece o desmatamento

Durante fórum de Bioeconomia realizado em dezembro de 2016, na Fiesp, em São Paulo, o renomado climatologista e doutor em meteorologia pelo MIT e também membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – ONU), Carlos Nobre, afirmou que é mito associar o desmatamento na Amazônia ao aumento da demanda e preço das commodities agrícolas.

Neste Fórum, Carlos Nobre apresentou tabelas e planilhas os quais mostram que nos últimos 10 anos, enquanto a demanda e preços dos produtos agrícolas aumentaram, como por exemplo a carne e a soja, o desmatamento no bioma amazônico recuou e afirmou: “O rebanho bovino cresceu na Amazônia e o desmatamento não”. (Fonte: Infomoney)

Outro artigo publicado pelo Conselho Científico para Agricultura Sustentável, no site www.agriculturasustentável.org.br, escrito pelo Doutor Ciro Antonio Rosolem  que afirma em seu título: “Menor consumo de carne pode piorar o aquecimento global ”.

“Boa parte das emissões de gases de efeito estufa tem sido atribuída à pecuária. Na verdade os números chegam a 15% das emissões totais. Há gente que diz que a pecuária estaria emitindo mais que carros, caminhões e ônibus.”

“Na verdade os dados são baseados em estimativas pontuais, sem levar em conta todo o processo produtivo. Por exemplo, se contabiliza quanto o boi emite, mas não se considera que o boi come capim que fixa carbono. E fixa bastante.”

“Há muitos estudos demonstrando que simplesmente a melhoria da produtividade das pastagens tropicais resulta em maiores estoques de carbono no solo. Uma pastagem melhorada remove aproximadamente 1 tonelada de carbono da atmosfera por hectare por ano, quando comparada a uma pastagem degradada.”

O artigo ainda cita um estudo publicado pela Revista Nature, realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, junto com a Embrapa (o qual já falamos aqui).

“A equipe desenvolveu um modelo matemático muito complexo, que leva em conta todas as emissões de carbono geradas na produção pecuária, mas também contabilizou o carbono sequestrado pelas pastagens que fica no solo.”

“A conclusão foi que, se a demanda por carne bovina aumentar, haverá diminuição da emissão de carbono pela pecuária, desde que o desmatamento seja controlado. Ao contrário, se a demanda, e a produção diminuírem, as emissões serão aumentadas.”

“A explicação é a seguinte: maior demanda por carne vermelha resultaria em incentivo para aumento da produção e melhoria das pastagens. Pasto melhorado, carbono fixado. Grama bem tratada tem raízes mais fortes e profundas, colocam o carbono lá embaixo. Foi estimado que um aumento de 30% na demanda de carne até 2030 poderia reduzir em 10% as emissões de carbono pela atividade.”

“Mesmo com mais cabeças de gado emitindo gases, a absorção pela pastagem seria maior, mais que compensando esse aumento. Haveria menor emissão tanto por quilo de carne produzida como total. Por outro lado, menor demanda por carne significaria rebanhos menores que precisariam de menos pasto.”

“Demanda menor, preços mais baixos. Isso reduziria a capacidade de investimento dos produtores, assim como o incentivo para manter pastos produtivos. Os pastos se degradariam, o solo perderia matéria orgânica, gerando maior emissão de carbono para a atmosfera.”

“O trabalho indica ainda que a restauração de pastagens degradadas se constitui na maior oportunidade para atingir as metas traçadas no plano nacional de mitigação de emissões de gases de efeito estufa. A restauração de 15 milhões de hectares de pastos degradados até 2020, como planejado, se constituiria numa contribuição equivalente a 40% das reduções propostas até 2020.”

“Você vai gostar de ler: Efeito estufa X Carne Bovina: qual o verdadeiro impacto para o meio ambiente? 

MITO 7: Não precisamos comer carne para suprir nossas necessidades nutricionais

Segundo o Doutor Wilson Júnior, em artigo publicado pelo Centro de Referência da Pecuária Brasileira – Zebu (CRPBZ), nas últimas décadas, muitas pessoas passaram a colocar sobre a carne vermelha toda a culpa de problemas alimentares. Isso levou muitas pessoas a optar por cortá-la totalmente do cardápio. Mas atitudes radicais como essa quase nunca fazem bem ao nosso corpo. Novos estudos mostram que a carne vermelha deve fazer parte de nossa dieta.

A carne vermelha contém todos os aminoácidos essenciais ao corpo humano, além de ser rica em ferro, zinco e vitaminas do complexo B. O Doutor Wilson lista alguns motivos pelos quais tirar a carne vermelha da dieta é um mal negócio:

  • Carne é muito rica em proteínas. Também oferece ótimos teores de fosfato e aminoácidos que não se encontram em proteínas vegetais. Os vegetarianos me desculpem, mas proteína vegetal não basta para aumentar a força e manter boa performance muscular.
  • Carne vermelha é rica em mioglobulina, que promove o transporte de oxigênio para as células musculares. Permite exercícios mais intensos, dá maior clareza mental e sensação de bem-estar, pois também atua como antidepressivo.
  • Encontra-se na carne ácido linoléico conjugado, conhecido como CLA, que ajuda a perder peso, promove a queima de gordura e ainda aumenta as defesas do corpo contra o câncer.
  • Carne é rica em creatina. Este composto nitrogenado ajuda a restaurar ATP (adenosina trifosfato) após o esforço muscular. Sem ATP, bastam algumas repetições de exercícios ou qualquer tipo de atividade muscular para sentir falta de energia.
  • O uso de suplementos de creatina tem aumentado muito. Mas para atingir níveis adequados no sangue e nos tecidos seu consumo deve ser de 30 gramas ao dia. Os efeitos colaterais costumam ser diarreia e problemas digestivos. Para alcançar esse teor sem maiores transtornos, sugiro combinar suplementos com o consumo de carne, a melhor fonte de creatina à nossa disposição.
  • Carne vermelha é superior a frango e peixe como alimento antidepressivo, devido à alta concentração de fenilalanina que apresenta. Este aminoácido ainda reduz o apetite.
  • Como ajuda a manter a glicemia mais estável, o consumo de carne vermelha diminui alterações de humor, compulsão alimentar e ajuda a combater a resistência à insulina. É ótima na prevenção e no tratamento do diabetes.
  • Ela também contém todos os aminoácidos essenciais ao corpo humano, além de ser rica em ferro, zinco, e vitaminas do complexo B, principalmente a vitamina B12 – indispensável para o funcionamento das células nervosas do corpo humano.
  • Por isso, a maioria das pessoas que não come nenhum tipo de alimento de origem animal, principalmente a carne vermelha, apresentam carência dessa vitamina em longo prazo se não tomarem suplementos vitamínicos.

“Você vai gostar de ler: 6 passos simples para identificar se a carne está fresca 

MITO 8: Hormônios são usados para aumentar a produção de carne

Um dos maiores mitos presentes entre consumidores é o de a carne possui algum tipo de hormônio. Este mito cai sobre a carne bovina, suína, mas, principalmente, sobre os frangos. O mito relaciona o grande potencial de crescimento dos animais, que no caso dos frangos, atualmente, alcançam quase 3 kg em pouco mais que 40 dias de idade, com a utilização de hormônio de crescimento na alimentação animal.

Muitas vezes, até médicos e nutricionistas, profissionais que possuem competências na área de alimentação humana, divulgam notícias e artigos com informações sem embasamento ou que são realizadas em outros países, os quais, realmente, muitas vezes, o uso de hormônios promotores de crescimento, é permitido.

A verdade é que a Instrução Normativa nº 17 de 2004  e a Instrução Normativa nº 55 de 2011 , do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, proíbem a administração, por qualquer meio, na alimentação e produção de animais de produção, de substâncias com efeitos tireostáticos, androgênicos, estrogênicos ou gestagênicos, bem como de substâncias ß-agonistas, com a finalidade de estimular o crescimento e a eficiência alimentar. Assim como proíbem a importação, a produção, a comercialização e o uso de substâncias naturais ou artificiais, com atividades anabolizantes hormonais, para fins de crescimento e ganho de peso.

MITO 9: O consumo de carne vermelha pode causar osteoporose

De acordo com um estudo realizado pelo Doutor Bonjour JP, da Service of Bone Diseases, University Hospital, da Suíça, “as proteínas representam um nutriente chave para a saúde óssea e, portanto, na prevenção da osteoporose.”

“Em oposição aguda às evidências experimentais e clínicas, tem sido alegado que as proteínas, particularmente aquelas provenientes de fontes animais, podem ser prejudiciais para a saúde óssea, induzindo acidose metabólica crônica, que por sua vez seria responsável pelo aumento da calciúria e dissolução mineral acelerada.”

Esta afirmação baseia-se numa hipótese que reúne artificialmente várias noções, incluindo observações in vitro sobre a propriedade físico-química do cristal de apatita, estudos humanos a curto prazo sobre a resposta calciúrica ao aumento da ingestão de proteínas, bem como comparações inter-étnicas retrospectivas no Prevalência de fraturas de quadril.”

“Em contraste, muitos dados experimentais e clínicos publicados concordam em indicar que a baixa ingestão de proteína afeta negativamente a saúde óssea. Assim, a deficiência seletiva em proteínas dietéticas provoca uma marcada deterioração na massa óssea, micro arquitetura e força, a marca registrada da osteoporose.”

“Nos idosos, ingestão de baixa proteína são frequentemente observados em pacientes com fratura de quadril. Nestes pacientes, o estudo de intervenção após o tratamento ortopédico demonstra que a suplementação de proteínas, tal como é dada na forma de caseína, atenua a perda óssea pós-fratura, aumenta a força dos músculos, reduz as complicações médicas e a internação hospitalar. De acordo com os estudos de intervenção experimental e clínica, grandes observações epidemiológicas prospectivas indicam que a ingestão relativamente elevada de proteínas, incluindo as provenientes de fontes animais, está associada a um aumento da massa mineral óssea e à redução da incidência de fraturas osteoporóticas.”

“Quanto ao aumento da calciúria que pode ser observado em resposta a um aumento em proteínas animais ou vegetais, pode ser explicado por uma estimulação da absorção intestinal de cálcio.”

“Além disso, não há evidências consistentes de superioridade de proteínas vegetais sobre proteínas animais no metabolismo do cálcio, prevenção da perda óssea e redução do risco de fraturas de fragilidade.”

MITO 10: As carnes de primeira são carnes melhores que as carnes de segunda

Já dizia marcos Bassi: “Não existe carne de segunda, existe boi de segunda”.

O velho hábito das pessoas de dizer que os cortes do dianteiro são carnes de segunda, se deve ao fato de que, muitas vezes, esses cortes são mais rígidos que os cortes do traseiro.

Se avaliarmos a anatomia do bovina, é fácil entendermos o porquê das diferenças nas musculaturas dos cortes dianteiros e traseiros: os cortes do dianteiro têm a função de “puxar o animal”, ajuda-lo a carregar o peso do corpo todo, consequentemente, possuem uma musculatura um pouco mais rígida e com maior teor de colágeno.

Mas avaliando a prática, o que realmente ocorre é que, o que torna uma carne (boi) de segunda está relacionado ao sistema de criação, de abate e de preparação da carne em si do que à localização do músculo.

Chamar uma carne “de segunda” seria depreciar um corte que, provavelmente é muito mais suculento e saboroso que um filé mignon, por exemplo, que, apesar de ser extremamente macio, tem sabor pouco acentuado e, obviamente, não sabendo prepara-lo, ficará parecendo uma sola de sapato.

O Professor Pedro de Felício, em um artigo publicado pelo BeefPoint diz que: “são oferecidos no mercado vários cortes de carne bovina que podem gerar deliciosos e saborosos pratos, afinal não é somente “bife” que pode ser preparado a partir de carne bovina. Não se deve desprezar todas as outras formas de preparo de carne, que privilegiam os tais cortes “de segunda”, como ensopados, cozidos, guisados, almôndegas, hambúrgueres, quando na verdade o que existe – e muito – é cozinheiro de segunda, na mão do qual toda carne acaba resultando em um prato inferior. Basta conhecer-se a vocação de cada corte e prepará-lo de acordo. ”

“Leia a primeira parte deste artigo: A verdade sobre a carne: 10 mitos desvendados – Parte 1

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