10 Mitos da Carne Desvendados – Parte 1

Nunca nenhum alimento foi tão mal falado quanto a carne, principalmente a carne vermelha. O fato é que, aqueles que são contra o consumo, estão cheios de embasamento científico para comprovar essa “verdade”. Entretanto, o contrário também acontece, também existem diversas pesquisas científicas que comprovam os benefícios do consumo das carnes.

O fato é que, desde os primórdios, não existe nenhuma tribo ou grupo que seja essencialmente vegano. Além do fato, que explicaremos mais adiante, de que somos fisiologicamente programados para consumirmos alimentos de origem animal e origem vegetal, numa alimentação balanceada por gorduras, proteínas e carboidratos, cada um com sua função, fornecendo os nutrientes que desde nossa criação, foram primordiais para nos desenvolver e fazer com que sejamos o que somos hoje.

Leia o artigo: Os benefícios da carne bovina

A lista de mitos relacionados à carne é bem extensa. Selecionamos 10 Mitos mais comuns, os quais separamos em dois artigos, o primeiro publicado hoje!

MITO 1: A carne vermelha apodrece no seu estômago

Este é um dos grandes mitos. A grande verdade é que: “Nosso organismo não está preparado para digerir celulose”. Em outras palavras: nós somos animais onívoros, ou seja, nos alimentamos tanto de proteínas animais quanto de vegetais. Nosso sistema digestivo é composto de estômago e intestino que liberam enzimas. Estas enzimas (pepsina, tripsina, quimiotripsina, proteases, sais de bile e lipases) são as responsáveis por digerir os alimentos que consumimos, liberando assim os nutrientes que serão absorvidos pela corrente sanguínea. Entretanto, essas enzimas não são capazes de quebrar a celulose, componente da parede celular vegetal, as quais chamamos de “fibras”.

As fibras só são benéficas ao nosso organismo se estiverem ligadas à água (por isso devemos beber muita água), pois as fibras ligadas à água ajudam a carregar a “sujeira” que restou do processo digestivo e irá formar o bolo fecal.

Sem a água, as fibras se acumulam no sistema digestivo e causam constipação e gases (é sério!). Já a carne, apesar de ter uma digestão mais demorada, ela é de fato praticamente digerida em 100%.

O fato da digestão da carne ser mais lenta é o que leva alguns a crerem que ela “apodrece” no estômago. Mas a verdade é que os ácidos no nosso estômago fazem um trabalho fenomenal em dissolver a carne e para digerir os grãos e vegetais são necessárias trilhões de bactérias que vivem no nosso intestino. Portanto, se alguma coisa parece apodrecer dentro da gente, é resultado da fermentação dessas bactérias.

MITO 2: Carne vermelha causa câncer

Segundo o Doutor Denis Furtado  a explicação para este mito é a seguinte:

“Quanto a questão da carne causar cancêr, a gênese deste mito envolve mais do que um raciocínio confuso, na verdade é uma fraude. Em 1965 um médico influente, Ernst Wynder, tomou os dados dos principais óleos vegetais processados, chamado-os de gordura animal (que não eram) e os utilizou para comparar a mortalidade mundial por câncer do cólon.

A tabela que ele organizou mostrou altas taxas de câncer de cólon em países europeus e taxas baixas de câncer de cólon no Japão, e concluiu que existia um fator positivo, em outras palavras, que a gordura saturada, o tipo encontrado na carne bovina, causaria câncer de cólon. O que os dados realmente mostraram foi que o consumo de óleos vegetais poliinsaturados, não as gorduras saturadas de origem animal, era associado à incidência do câncer de cólon. E o dr. Wynder esqueceu de mencionar que os asiáticos tinham taxas muito mais altas do que os americanos de outros tipos de cânceres, particularmente os cânceres do fígado, pâncreas, estômago, esôfago e pulmões.

Então em 1973, William Haenszel e seus colegas do Instituto Nacional do Câncer divulgou os resultados de um estudo que recaía sobre a dieta a despeito de outros fatores – em outras palavras, um estudo muito mal planejado.

Neste estudo encontraram uma relação entre a carne bovina e o câncer de cólon, que combinava com o trabalho anterior de Wynder. Realmente, o que eles realmente descobriram era que entre os japoneses americanos ocidentalizados, os mesmos que reportaram um elevado consumo de macarrão, feijões e ervilhas verdes, assim como também carne bovina, apresentaram as taxas mais altas de câncer de cólon; enquanto que entre os japoneses americanos tradicionais, aqueles que afirmaram consumir mais moluscos secos, ervilhas chinesas, broto de bambu, arroz e produtos fermentados de soja, também tiveram as taxas mais altas de câncer de cólon.

Deste modo, os pesquisadores escolheram a carne bovina como culpada em uma escolha de vários alimentos associados ao câncer em ocidentais, ignorando alimentos politicamente corretos como produtos de soja, peixe e legumes como uma causa potencial de câncer em americanos de origem japonesa. Incrivelmente, esse segundo e inconsistente estudo se tornou em algo firmemente fixado na consciência da comunidade científica como um gerador de evidência para a afirmação que câncer de cólon é originado pela carne bovina.

Porém, nenhum estudo feito na Europa teria mostrado uma associação entre o consumo de carne e câncer. Este sugere que a salsicha e a carne do almoço europeu, incluído na rubrica de “consumo de carne,” que são preparados por métodos tradicionais, que empregam poucos aditivos, enquanto os produtos similares nos Estados Unidos contêm muitos preservativos e condimentos carcinogênicos.

Infelizmente, a recomendação de 1996 da Sociedade Americana contra o Câncer aludiu a que os americanos diminuíssem seu consumo de carne – particularmente a carne rica em gordura – com a finalidade de evitar o câncer, não fazendo qualquer distinção entre as carnes frescas e aquelas que foi embalsamadas com os modernos conservantes químicos!

Apesar de dois estudos americanos implicarem o consumo de carne como uma causa de câncer de cólon, existem vários outros que os contradizem. Em 1975, Rowland Philips comparou médicos adventistas da igreja do Sétimo-Dia, que não comem carne, com demais médicos, e verificou que os médicos vegetarianos têm taxas mais elevadas de morte por câncer gastrintestinal e de cólon e reto.

Os dados do Instituto Nacional do Câncer mostram que a Argentina, com níveis muito mais altos de consumo de carne de boi, tem taxas significativamente mais baixas de câncer de cólon do que outros países ocidentais onde o consumo de carne de boi é consideravelmente mais baixo.

Em 1997, um estudo publicado no International Journal of Cancer verificou que o aumento do risco de câncer de cólon e reto estava positivamente associado com o consumo de pão, cereais, batatas, bolos, sobremesas e açúcares refinados, mas não com ovos ou carne.

E um estudo de 1978 publicou no Journal of the National Cancer Institute não encontrou qualquer risco maior para o câncer de cólon, não importando as quantias de carne de boi ou outras carnes ingeridas.

O câncer de cólon acontece quando níveis altos de óleos vegetais e gorduras hidrogenadas, junto com certos carcinógenos, são ativados por certas enzimas nas células das membranas do cólon, levando a formação de tumor.

Isso explica o fato de que em países industrializados, onde existem muitos carcinógenos na dieta e onde o consumo de óleos e gorduras vegetais e carcinógenos são elevados, alguns estudos correlacionam o consumo de carne com o câncer de cólon; mas nas sociedades tradicionais, onde as gorduras vegetais estão ausentes e a comida é livre de aditivos, comer carne não é associado com o câncer.”

Leia o artigo: Por que a carne vermelha é vermelha?

MITO 3: Carne vermelha causa doença cardíaca

Ainda segundo o Doutor Denis Furtado:

“Isto realmente remonta aos anos 50 quando a hipótese lipídica estava tomando conta da consciência americana. Naquele tempo, os cientistas estavam abraçando uma nova ameaça para a saúde pública – uma súbita ascensão da doença do coração, especialmente do infarto do miocárdio (IAM) – um coágulo de sangue volumoso que levaria à obstrução de uma artéria coronária e morte consequente do músculo cardíaco. O IAM era quase inexistente em 1910 e não causava mais do que três mil mortes por ano em 1930. Em 1960, ocorreram pelo menos 500.000 MORTES por IAM por ano nos EUA.

Muitos cientistas acreditavam que o culpado era o colesterol e a gordura saturada encontrada nos alimentos de origem animal como a manteiga, os ovos e a carne de boi. Eles acreditavam que a gordura saturada e o colesterol elevariam o nível de colesterol no sangue o que por sua vez seria a causa do depósito do colesterol como placas nas artérias, levando às obstruções e à doença cardíaca. Isso, em resumo, é a hipótese lipídica.

Esta teoria foi testada em 1957 quando Dr. Norman Jolliffe, Diretor da Agência de Nutrição do Departamento de Saúde de Nova Iorque, inaugurou o “Anti-Coronary Club” (Clube Anti-Coronário). Com grande exposição de mídia, um grupo de homens de negócios, em idade de 40 até 59 anos, foi colocado sob a denominada “Dieta Prudente”. Os especialistas em dieta prudente usavam óleo de milho e margarina em vez de manteiga, cereais frios no café da manhã em vez de ovos e galinha e peixe no lugar de carne de boi. Os membros do clube anti-coronário seriam comparados com um “grupo combinado” da mesma idade que se alimentariam de ovos no café da manhã e teriam carne três vezes por dia. Jolliffe, um diabético obeso confinado a uma cadeira de roda, estava confiante de que a “Dieta Prudente” poderia salvar vidas, inclusive a sua.

Os resultados do Clube Anti Coronariano do Dr. Jollife foram publicados em 1966 no Jornal da Associação Médica Americana: Aqueles sob a Dieta Prudente com óleo de milho, margarina, peixe, galinha e cereal frios obtiveram um colesterol médio de 220, comparada aos 250 do grupo de controle “carne-e-batatas”.

Entretanto, os autores do estudo foram obrigados a observar que ocorreram oito mortes por doença de coração entre os participantes do Grupo da Dieta Prudente do Dr. Jolliffe, e nenhum entre aqueles que comeram carne três vezes por dia. Dr. Jolliffe faleceu nesse período. Ele sucumbiu em 1961 de uma trombose vascular, embora o obituário listasse como causa de morte as complicações da diabete.

A verdade é que apesar de toda a propaganda que você tem ouvido, a hipótese lipídica nunca foi comprovada. Na verdade o influxo de proteína inadequado implica em perda de músculo cardíaco o que pode, portanto, contribuir para a doença coronariana do coração.

Existem muitas sociedades onde o população consome níveis altos de alimento de origem animal e gordura saturada mas que estão livres de doença do coração. Dr. George Mann, que estudou os indivíduos do povo Masai, pastores de gado da África, não encontrou nenhum caso de doença de coração, embora sua dieta consistisse em carne, sangue e leite bruto.

É verdade que consumo de carne bovina nos Estados Unidos subiu durante os últimos oitenta anos, um período de enorme aumento na doença do coração. Hoje nós consumimos 79 libras de carne de boi por pessoa por ano contra 54 em 1909, um aumento de 46% – mas o consumo de aves aumentou impressionantes 280%, de 18 libras por pessoa por ano para 70. O consumo de óleos vegetais, inclusive da gordura hidrogenada, aumentou em 437%, de 11 libras por pessoa por ano para 59; enquanto o consumo de manteiga, banha e sebo reduziu de 30 libras por pessoa por ano para menos de 10. O consumo de leite integral recuou em quase 50%, enquanto o consumo de leite desnatado dobrou. O consumo de ovos, frutas frescas (exceto cítricos), verduras frescas, batatas frescas e produtos a base de cereais integrais recuou; mas o consumo de açúcar e outros adoçantes quase dobrou. Por que, então, hoje os gurus das dietas politicamente corretas continuam a culpar o consumo de carne de boi pelos nossos males? É porque seria o único alimento integral que mostrou um aumento nos últimos noventa anos?

As mais prováveis causas da doença cardíaca, que vem se incrementado na América, são as mudanças em nossas dietas – o enorme aumento no consumo de carboidratos refinados e óleos vegetais, particularmente da gordura vegetal hidrogenada; e do declínio dos níveis de nutrientes alimentares, particularmente de minerais e vitaminas lipossolúveis – vitaminas somente encontrada nas gorduras animais.”

MITO 4: A gordura da carne faz mal à saúde

Dizem por aí: a gordura da carne aumenta os níveis de colesterol.

De acordo com o Doutor Dênis Furtado é que “a realidade é que o colesterol é vital para a função do sistema nervoso e a integridade do aparelho digestivo. Os hormônios esteróides, que ajudam o corpo a lidar com o estresse são feitas a partir do colesterol. Os hormônios sexuais como o estrogênio e a testosterona são feitos de colesterol. Os sais biliares usados pelo nosso corpo para digerir as gorduras são feitas de colesterol. A vitamina D, necessária para milhares dos processos bioquímicos, é feito de colesterol.

O colesterol é um poderoso antioxidante que nos protege contra o câncer. É vital para as células porque provê sua impermeabilização e a integridade estrutural. E, finalmente, o colesterol é a substância de reparo corporal. Quando nossas artérias estão fracas e desenvolvem fissuras ou outros ferimentos, o colesterol é seqüestrado e utilizado para consertar. Quando os níveis de colesterol no sangue estão elevados, é porque o corpo é levado a perceber que necessita de colesterol. Culpar o colesterol pela doença cardíaca é como responsabilizar o incêndio aos bombeiros que chegaram, na verdade, para debelarem as chamas.”

MITO 5: Os animais sentem dor quando são abatidos

Segundo artigo  publicado pelo Jornal Pet Zootecnia da Universidade Estadual de Londrina:

“Atualmente os consumidores têm demonstrado maior preocupação com a forma utilizada para produção do seu alimento. Além dos fatores nutricionais, sensoriais e sanitários, questionam-se sobre a qualidade ética e ambiental envolvida na obtenção do alimento, que por eles serão consumidos. Muitas vezes por informações errôneas e boatos sensacionalistas, os consumidores passam a ter uma ideia distorcida da real condição para realização de abates legais no Brasil. Diferente do que a maioria pensa sobre o abate de animais há uma legislação que normatiza a forma correta para sua realização. Conforme esta lei o abate deve ser humanitário.

Podemos definir o abate humanitário como um conjunto de técnicas que garantem o bem-estar dos animais, desde a recepção na fazenda até o abate no frigorífico, e esse procedimento está descrito na Instrução Normativa Nº 3, de 17 de janeiro de 2000, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 2000).

Porém há exceções para o abate humanitário, quando os abates forem religiosos, como Halal e Kosher. Os frigoríficos são obrigados a respeitar leis rigorosas para poderem realizar o abate e liberarem as carcaças para comercialização. Existem muitos mitos envolvidos com este assunto.”

Mas a verdade é que: Não, os animais não sentem dor quando são abatidos.

“Os animais antes de serem abatidos passam pela etapa de insensibilização.  Esta etapa garante que o animal fique em estado de inconsciência, que perdure até o fim da sangria, evitando assim a dor. Os métodos de insensibilização variam conforme a espécie animal a ser abatida.”

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